Durante o Congresso Brasileiro de Cirurgia do Joelho, em abril de 2026, o Dr. Pedro Giglio ministrou uma aula sobre bloqueio dos nervos do joelho, abordagem minimamente invasiva utilizada em situações selecionadas para o controle da dor. O tema fez parte do curso de tratamento da dor realizado durante o evento.
A dor crônica no joelho pode ter diferentes origens e intensidades. Em pacientes com artrose, por exemplo, o tratamento costuma envolver uma combinação de medidas como ajuste de carga, fisioterapia, fortalecimento, medicamentos, infiltrações e, quando necessário, procedimentos cirúrgicos. Técnicas voltadas aos nervos geniculares podem integrar esse conjunto em casos específicos.

O que são os nervos geniculares?
Os nervos geniculares são pequenos ramos nervosos relacionados à sensibilidade da região do joelho. Como participam da transmissão dos estímulos dolorosos, podem ser alvo de procedimentos quando o objetivo é modular a dor sem atuar diretamente sobre a estrutura articular que originou o problema.
O bloqueio é realizado de forma direcionada e pode utilizar anestésicos locais, com ou sem outras medicações, de acordo com a indicação. Em alguns contextos, os médicos também podem empregar esse procedimento como etapa de avaliação antes de intervenções de ação mais prolongada, como técnicas de ablação de ramos nervosos. A indicação, porém, depende da avaliação clínica e não se aplica a todo tipo de dor no joelho.
Controle da dor não substitui o diagnóstico da causa
Um ponto importante é diferenciar controle de sintomas e tratamento da causa. Reduzir a transmissão da dor pode ser útil, mas não corrige automaticamente alterações mecânicas, lesões ligamentares, instabilidade, deformidades ou desgaste articular. Por isso, antes de discutir um bloqueio, é necessário estabelecer o diagnóstico e entender qual problema está produzindo os sintomas.
Na artrose do joelho, por exemplo, o tratamento é individualizado conforme gravidade, sintomas, idade, nível de atividade, alinhamento do membro e resposta a medidas anteriores. Os médicos podem considerar procedimentos minimamente invasivos dentro de uma estratégia mais ampla, especialmente quando buscam reduzir a dor e melhorar a função sem recorrer imediatamente à cirurgia.
Por que discutir técnicas minimamente invasivas em congressos?
O avanço de procedimentos guiados por imagem e de técnicas voltadas ao manejo da dor ampliou as possibilidades terapêuticas na cirurgia do joelho. Ao mesmo tempo, exige critérios claros de indicação, conhecimento anatômico e compreensão das limitações de cada abordagem.
A apresentação no CBCJ teve justamente esse contexto: discutir uma técnica que pode ser útil para determinados pacientes, sem transformá-la em uma solução universal. A troca científica entre especialistas permite revisar protocolos, segurança e resultados, além de aproximar o tratamento da evidência mais atual.
Conclusão
O bloqueio dos nervos do joelho pode fazer parte do tratamento da dor em situações selecionadas. A decisão deve ocorrer depois de uma avaliação adequada da causa dos sintomas e dentro de um plano individualizado. A aula apresentada pelo Dr. Pedro Giglio no CBCJ reforça a importância de conhecer alternativas menos invasivas e, ao mesmo tempo, utilizá-las com indicação precisa.









