Em abril de 2026, o Dr. Pedro Giglio participou do Congresso Brasileiro de Cirurgia do Joelho (CBCJ), em Campinas, com uma aula dedicada à reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA). A apresentação discutiu o uso de novos enxertos e, principalmente, a necessidade de individualizar as escolhas técnicas de acordo com as características de cada paciente.
Mais do que acompanhar tendências, a proposta foi trazer uma reflexão sobre o que realmente faz sentido na prática e em quais contextos essas abordagens devem ser aplicadas.
Nem sempre a incorporação de novas técnicas é direta. Muitas vezes, o ponto central está em entender para quem, quando e por que indicar.

Por que a escolha do enxerto no LCA precisa ser individualizada?
A reconstrução do LCA é uma das cirurgias mais estudadas da ortopedia esportiva, mas isso não significa que exista uma única solução adequada para todos os casos. A evolução das técnicas, dos métodos de fixação e das opções de enxerto ampliou as possibilidades do cirurgião. Ao mesmo tempo, tornou ainda mais importante compreender em quais situações cada alternativa faz sentido.
O enxerto utilizado para reconstruir o LCA passa a desempenhar a função do ligamento lesionado. Entre as opções mais conhecidas estão enxertos retirados do tendão patelar, dos tendões flexores e do tendão do quadríceps. A escolha pode variar conforme idade, modalidade esportiva, nível de demanda física, anatomia, histórico de cirurgias, lesões associadas e objetivos de retorno ao esporte.
Em atletas que praticam esportes com mudança rápida de direção, contato ou movimentos de pivô, por exemplo, a análise de risco pode ser diferente daquela feita para uma pessoa com menor demanda esportiva. O planejamento também deve considerar fatores relacionados à estabilidade do joelho e à possibilidade de procedimentos associados quando indicados.
Por isso, falar em “melhor enxerto” sem considerar o perfil do paciente simplifica uma decisão que, na prática, é multifatorial. O objetivo é escolher uma estratégia coerente com o caso e com a melhor evidência disponível.
Novas técnicas devem ser incorporadas com critério
Um dos pontos centrais da aula foi justamente a reflexão sobre a incorporação de novas técnicas. A ortopedia evolui de forma contínua, e congressos científicos permitem discutir resultados, indicações, limitações e experiências de diferentes centros. Entretanto, novidade não é sinônimo automático de melhor indicação.
Na cirurgia do LCA, a decisão deve equilibrar evidência científica, experiência técnica e particularidades do paciente. Isso inclui entender quando uma alternativa pode acrescentar benefício e quando uma técnica já estabelecida continua sendo a opção mais adequada.
Atualização científica aplicada à cirurgia do joelho
O CBCJ reúne especialistas de diferentes regiões e é um espaço de atualização técnica e troca de experiências em cirurgia do joelho. Participar como palestrante permite não apenas apresentar uma abordagem, mas também confrontá-la com perguntas e experiências de outros cirurgiões.
Esse tipo de discussão é especialmente relevante em temas como a reconstrução do LCA, em que pequenas decisões de planejamento podem influenciar estabilidade, reabilitação e retorno às atividades. A atualização científica, portanto, não se limita à adoção de tecnologias: ela também envolve revisar indicações e aprimorar critérios de decisão.
Conclusão
A reconstrução do LCA deve ser planejada caso a caso. A participação do Dr. Pedro Giglio no CBCJ 2026 reforçou essa perspectiva ao discutir enxertos e estratégias de reconstrução sob a ótica da individualização. Para pacientes com lesão do ligamento cruzado anterior, o especialista deve realizar uma avaliação criteriosa para determinar a indicação cirúrgica e selecionar a abordagem mais adequada ao perfil clínico e funcional de cada paciente.









