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09/10/2025

Revisão de prótese de joelho – troca de prótese de joelho

A cirurgia de prótese total de joelho é um dos procedimentos mais realizados na ortopedia moderna, com excelentes resultados em alívio da dor e melhora da função. No entanto, em alguns casos, pode ser necessária uma nova cirurgia, conhecida como revisão de prótese de joelho ou troca de prótese de joelho. Porém, esse procedimento é mais complexo que a artroplastia primária e exige avaliação cuidadosa e planejamento detalhado.

O que é a prótese de joelho?

A prótese de joelho é um implante cirúrgico utilizado para substituir as superfícies articulares desgastadas, geralmente por artrose avançada do joelho.

O objetivo da artroplastia total de joelho é restaurar o alinhamento, recuperar a função, bem como aliviar a dor.

Imagem: exemplo de prótese primária do joelho (à esquerda) e prótese de revisão (à direita). Observe que a prótese primária é mais simples, consistindo principalmente na substituição da superfície do joelho. Por outro lado, a prótese de revisão inclui componentes adicionais para aumento da fixação, correção de defeitos ósseos e estabilização.
Imagem: exemplo de prótese primária do joelho (à esquerda) e prótese de revisão (à direita). Observe que a prótese primária é mais simples, consistindo principalmente na substituição da superfície do joelho. Por outro lado, a prótese de revisão inclui componentes adicionais para aumento da fixação, correção de defeitos ósseos e estabilização.

Quanto tempo dura uma prótese de joelho?

A durabilidade da prótese de joelho evoluiu significativamente nas últimas décadas. Estudos recentes indicam que:

  • Cerca de 90% das próteses se mantêm funcionantes após 20 anos da cirurgia.
  • Mais de 80% ainda estão em uso após 25 anos.

Isso significa que a maioria dos pacientes realiza apenas uma cirurgia de prótese no joelho ao longo da vida e nunca precisará trocar de prótese

Fatores como idade, nível de atividade física, qualidade óssea e o tipo de implante e a técnica cirúrgica influenciam diretamente essa durabilidade.

Idade no momento da cirurgia da prótese do joelhoChance de precisar trocar a prótese ao longo da vida
70 anos ou maisMenor que 10%
60 anosEntre 15% e 20%
50 anosCerca de 20% (mulheres) a 35% (homens)

Sintomas que indicam problemas na prótese de joelho

Embora a maioria das próteses funcione bem por muitos anos, é importante estar atento a sinais que podem indicar falhas ou complicações na prótese do joelho. A seguir, alguns sintomas devem ser avaliados por um ortopedista especialista em joelho:

  • Dor persistente ou progressiva

  • Inchaço frequente

  • Instabilidade ou falseio ao caminhar

  • Rigidez progressiva

  • Barulhos incomuns (estalos, rangidos)

  • Vermelhidão, calor local ou febre

  • Alterações na marcha ou dificuldade para apoiar o peso

Esses sintomas podem estar relacionados a problemas como soltura da prótese, desgaste do implante, infecção ou instabilidade articular. Por isso, quanto mais precoce for a identificação, maiores as chances de um tratamento eficaz.

Exames para diagnóstico de soltura ou outros problemas na prótese do joelho

A avaliação da soltura da prótese do joelho ou de outros problemas envolve uma combinação de exame clínico e exames complementares:

  • Radiografias do joelho (em ortostase, com estresse ou com trações específicas)

  • Cintilografia óssea

  • Tomografia computadorizada (TC), especialmente para avaliar áreas de osteólise

  • Ressonância magnética com protocolo específico para prótese

  • Exames laboratoriais (PCR, VHS, leucograma)

  • Punção articular para análise do líquido sinovial, fundamental na investigação de infecção

Geralmente, esses exames ajudam a identificar infecção, soltura, desgaste, fraturas ou problemas mecânicos que justifiquem a troca da prótese do joelho.

Independente de haver uma causa mais provável para algum problema da prótese do joelho, a infecção sempre deve ser investigada e descartada, por sua gravidade e implicações importantes no tratamento.

Causas que indicam necessidade de revisão de prótese de joelho

A revisão da prótese do joelho pode ser indicada por diferentes causas, sendo as mais comuns:

  • Soltura asséptica (afrouxamento sem infecção)

  • Infecção da prótese do joelho (infecção periprotética)

  • Desgaste do polietileno

  • Fraturas periprotéticas

  • Instabilidade articular

  • Rigidez persistente

  • Mau posicionamento dos componentes

Geralmente, a investigação deve incluir exames de imagem, exames laboratoriais e, quando necessário, punção articular para análise do líquido sinovial.

Imagem: radiografia mostrando uma prótese de revisão com componentes longos para estabilização.

Como é feita a cirurgia de revisão de prótese de joelho

A cirurgia de revisão é considerada de maior porte e complexidade técnica.

  • O primeiro passo é a retirada cuidadosa da prótese antiga, preservando o osso saudável.

  • Em seguida, o cirurgião prepara o osso para receber novos componentes, muitas vezes utilizando materiais especiais para compensar perdas ósseas.

  • O planejamento pré-operatório e a escolha correta do implante são fundamentais para o sucesso.

Revisão em casos de infecção

  • Um tempo cirúrgico: retirada da prótese e implantação de nova no mesmo procedimento, logo após limpeza rigorosa.

  • Dois tempos cirúrgicos: retirada da prótese, colocação de espaçador com antibiótico e tratamento medicamentoso, seguido de nova cirurgia após 6–8 semanas.

Recuperação logo após a cirurgia de revisão de prótese de joelho

Na maioria dos casos, o paciente pode apoiar o peso desde os primeiros dias, usando andador ou muletas para segurança inicial.

  • Internação média: 2 a 3 dias

  • Fisioterapia iniciada ainda no hospital

  • Medicação para prevenção de infecção e trombose

  • Recuperação total: variável conforme complexidade, mas com retorno gradual e seguro da função do joelho

Próteses e componentes especiais usadas na revisão de prótese de joelho

Fixação da prótese de revisão

A fixação adequada da prótese de revisão do joelho ao osso do paciente é fundamental para o sucesso da cirurgia, especialmente em casos com perda óssea ou necessidade de implantes com maior estabilidade ou grau de constrição.

Imagem: três zonas de fixação de próteses de revisão do joelho. Em vermelho: diáfise; em verde: metáfise; em azul: epífise

De modo geral, existem três zonas principais de fixação em uma artroplastia do joelho:

  1. Epífise – corresponde às extremidades dos ossos. Quando há falhas ósseas nessa região, podem ser utilizados blocos de aumento ou cunhas metálicas para preencher os defeitos e permitir o encaixe adequado do implante.
  2. Metáfise – região composta por osso esponjoso, localizada entre a epífise e a diáfise. É uma zona crítica para a estabilidade rotacional da prótese. Dessa forma, para garantir a fixação, são utilizados cones metálicos porosos ou sleeves, que se adaptam ao defeito e promovem integração com o osso.
  3. Diáfise – trata-se da porção longa dos ossos, onde se encontra o canal medular. Nesta região, é comum o uso de hastes intramedulares, que aumentam a estabilidade da prótese ao distribuir melhor as forças ao longo do osso.

De acordo com os princípios atuais da cirurgia de revisão, é recomendável obter fixação de qualidade em pelo menos duas das três zonas.

Próteses constritas

  • Em casos de instabilidade ligamentar grave, pode ser necessário o uso de uma prótese constrita, que possui maior firmeza na restrição de movimentos excessivos no joelho. Assim, ela atua como como substituto parcial da função dos ligamentos.

  • As próteses de revisão apresentam diferentes níveis de constrição, que devem ser escolhidos de acordo com a gravidade da instabilidade do joelho. Como princípio geral, busca-se utilizar o menor grau de constrição necessário, uma vez que próteses com maior estabilização geram maior transferência de carga para o implante e para sua interface com o osso. Esse aumento de forças pode impactar negativamente na durabilidade e exigir estratégias de fixação mais robustas.

  • As opções incluem desde próteses não constritas (semelhantes às utilizadas em artroplastias primárias), até próteses semi-constritas (com estabilização adicional), e as próteses completamente constritas ou tipo dobradiça (hinge), indicadas em casos de instabilidade severa, falência ligamentar completa ou grandes perdas ósseas.

Endoprótese ou prótese não convencional

Em casos extremos de falha grave, com grande destruição óssea ou infecção recorrente, pode ser indicada uma endoprótese, também chamada de prótese não convencional, semelhante às utilizadas em cirurgias oncológicas. Para isso, esses implantes substituem grandes segmentos ósseos e têm papel importante em situações limite.

FAQ – Perguntas frequentes sobre revisão de prótese de joelho

  1. Quanto tempo dura uma prótese de joelho?


    Em média, 90% das próteses ainda funcionam bem após 20 anos e mais de 80% após 25 anos. A durabilidade varia conforme idade, atividade física, qualidade óssea e técnica cirúrgica.

  2. Quais os sinais de que minha prótese de joelho está com problema?


    Dor, inchaço frequente, instabilidade, rigidez, calor local e dificuldade para apoiar o peso são sinais de alerta que precisam de avaliação médica.

  3. Quando é necessária a revisão de prótese de joelho?


    Os motivos mais comuns incluem, principalmente, soltura, infecção, desgaste do polietileno, fraturas ao redor da prótese, instabilidade e mau posicionamento dos componentes.

  4. A cirurgia de revisão é mais complexa que a primeira?


    Sim. É um procedimento tecnicamente mais exigente, com maior tempo cirúrgico, necessidade de implantes especiais e grande atenção ao planejamento.

  5. Como é a recuperação após a troca da prótese de joelho?


    A recuperação costuma permitir apoio do peso desde o início, com fisioterapia precoce. O tempo total varia de acordo com a complexidade da cirurgia e da condição física do paciente.


Agende sua avaliação!

Revisão da prótese do joelho é uma cirurgia complexa, que exige equipe experiente, planejamento preciso e materiais específicos. Assim, com os cuidados adequados, é possível restaurar a função do joelho e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Portanto, se você teve uma artroplastia total do joelho e está enfrentando dor, inchaço ou perda de função, converse com um especialista em cirurgia do joelho para avaliação.

O tratamento médico sempre deve ser individualizado. Portanto, para obter um diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado, o paciente deve buscar um profissional qualificado, ortopedista especialista em joelho.

O Dr. Pedro Giglio é formado pela USP, ortopedista especialista em Cirurgia do Joelho, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Joelho (SBCJ). Além disso, ele realiza seus atendimentos no Núcleo de Ortopedia Especializada ou via teleatendimento.


Referências científicas

Bayliss, L. E., et al. The effect of patient age at intervention on risk of implant revision after total replacement of the hip or knee. Lancet 389, 1424–1430 (2017).

Evans, J. T., et al. How long does a knee replacement last? A systematic review and meta-analysis of case series and national registry reports with more than 15 years of follow-up. Lancet 393, 655–663 (2019).

Dennis, D. A., Berry, D. J., Engh, G., Fehring, T., MacDonald, S. J., Rosenberg, A. G. & Scuderi, G. Revision total knee arthroplasty. J. Am. Acad. Orthop. Surg. 16, 442–454 (2008).  

Thiele, K., Perka, C., Matziolis, G., Mayr, H. O., Sostheim, M. & Hube, R. Current failure mechanisms after knee arthroplasty have changed: polyethylene wear is less common in revision surgery. J. Bone Joint Surg. Am. 97, 715–720 (2015).  

Jang, S. J., Flevas, D. A., Kunze, K. N., Anderson, C. G., Fontana, M. A., Boettner, F., Sculco, T. P., Baldini, A. & Sculco, P. K. Standardized fixation zones and cone assessments for revision total knee arthroplasty using deep learning. J. Arthroplasty 38, S259-S265.e2 (2023).  

Autoria: — Médico ortopedista especialista em Cirurgia do Joelho. CRM-SP 150881 · RQE 64950 · TEOT 14408.

Dr. Pedro Giglio

CRM-SP 150881 / RQE 64950 / TEOT 14408

Dr. Pedro Nogueira Giglio é médico ortopedista, especialista em Cirurgia do Joelho, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Possui doutorado em Ciências (PhD) pela USP, com pesquisa em regeneração da cartilagem, e formação complementar em instituições internacionais, como University of Pennsylvania, Harvard University e Universität Leipzig.

Com mais de 10 anos de experiência no tratamento de lesões do joelho, utiliza técnicas mais modernas e tecnologia de ponta para oferecer tratamentos de precisão, desde medidas preventivas, passando por tratamentos minimamente invasivos, até cirurgias de alta complexidade. Sua prática alia conhecimento científico, inovação e cuidado individualizado ao paciente.

Na USP, atua em pesquisa e ensino de graduação e pós-graduação. É instrutor de cursos de cirurgia do joelho, palestrante em congressos nacionais e internacionais e autor de artigos científicos, sempre difundindo conhecimento e contribuindo para o avanço da ortopedia.

Dr. Pedro Giglio

CRM-SP 150881 / RQE 64950 / TEOT 14408

Dr. Pedro Nogueira Giglio é médico ortopedista, especialista em Cirurgia do Joelho, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Possui doutorado em Ciências (PhD) pela USP, com pesquisa em regeneração da cartilagem, e formação complementar em instituições internacionais, como University of Pennsylvania, Harvard University e Universität Leipzig.

Com mais de 10 anos de experiência no tratamento de lesões do joelho, utiliza técnicas mais modernas e tecnologia de ponta para oferecer tratamentos de precisão, desde medidas preventivas, passando por tratamentos minimamente invasivos, até cirurgias de alta complexidade. Sua prática alia conhecimento científico, inovação e cuidado individualizado ao paciente.

Na USP, atua em pesquisa e ensino de graduação e pós-graduação. É instrutor de cursos de cirurgia do joelho, palestrante em congressos nacionais e internacionais e autor de artigos científicos, sempre difundindo conhecimento e contribuindo para o avanço da ortopedia.