Em novembro de 2025, o Dr. Pedro Giglio ministrou uma aula sobre causas de falha na reconstrução do ligamento cruzado anterior durante o 10º Simpósio de Trauma do Esporte do Vale do Paraíba. O tema é relevante porque, embora a cirurgia do LCA apresente bons resultados na maioria dos pacientes adequadamente indicados, alguns casos evoluem com nova instabilidade, ruptura do enxerto ou dificuldade de retorno às atividades.
Entender por que uma reconstrução pode falhar é essencial tanto para prevenir problemas na primeira cirurgia quanto para planejar uma eventual cirurgia de revisão.

O que pode levar à falha na reconstrução do LCA?
A falha após cirurgia do LCA raramente depende de um único fator. Um novo trauma pode romper um enxerto previamente estável, especialmente em esportes que envolvem giro, salto e contato. Em outros casos, aspectos técnicos, alterações anatômicas ou instabilidades associadas podem aumentar a sobrecarga sobre o enxerto.
O posicionamento dos túneis ósseos, a escolha e fixação do enxerto, o alinhamento do membro, a inclinação posterior da tíbia e a presença de lesões associadas são exemplos de elementos que podem precisar ser analisados. Também é importante avaliar meniscos e outras estruturas ligamentares, porque elas participam da estabilidade do joelho.
Reabilitação e retorno ao esporte também fazem parte da prevenção
O sucesso de uma reconstrução não depende apenas do momento cirúrgico. A recuperação exige ganho progressivo de mobilidade, força, controle neuromuscular e capacidade de executar movimentos específicos do esporte. O retorno precoce ou sem critérios funcionais pode aumentar o risco de nova lesão.
Por isso, o retorno ao esporte deve considerar mais do que um prazo fixo. Testes de força, estabilidade, qualidade do movimento e confiança do paciente ajudam a orientar a progressão. A comunicação entre cirurgião, fisioterapeuta e equipe esportiva é parte importante desse processo.
Quando é necessário investigar uma cirurgia de revisão?
Persistência de instabilidade, episódios de falseio, limitação funcional ou uma nova lesão após reconstrução do LCA podem exigir investigação específica. Radiografias, ressonância e, em alguns casos, tomografia ajudam a avaliar o enxerto, túneis, alinhamento e outras estruturas.
Uma cirurgia de revisão costuma ser mais complexa do que a reconstrução primária porque precisa considerar o que foi realizado anteriormente. Em alguns pacientes, pode ser necessário corrigir fatores associados antes ou durante a nova reconstrução. Essa é uma das razões pelas quais compreender a causa da falha é tão importante quanto identificar que o enxerto falhou.
Conclusão
A aula apresentada no Simpósio de Trauma do Esporte destacou um princípio central da cirurgia do LCA: prevenir falhas exige planejamento amplo, execução técnica e reabilitação orientada por critérios. Quando há uma nova instabilidade, a avaliação deve buscar a causa do problema para que o tratamento seja planejado de forma individualizada.








