Introdução
O ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das principais estruturas responsáveis pela estabilidade do joelho. Ele conecta o fêmur à tíbia e evita que a tíbia se desloque para frente e contribui para o controle rotacional da articulação.
A lesão do LCA geralmente acontece em movimentos rotacionais do joelho, comuns em esportes com giros, saltos, aterrissagens e mudanças bruscas de direção.
Em menor frequência, pode ocorrer em traumas de menor energia no dia a dia e, em outros casos, pelo desgaste do joelho (lesão degenerativa do LCA).

Diagnóstico da lesão do LCA
O diagnóstico é feito combinando exame físico e exames de imagem:
- Exame físico – fundamental para determinar se a lesão é estável ou não, além disso, permite avaliar o grau de instabilidade, identificar frouxidão ligamentar e possíveis lesões associadas.
- Ressonância magnética – principal exame para confirmar a ruptura do LCA e investigar danos adicionais, como lesões meniscais ou condrais.
- Radiografias – importantes para avaliar alterações ósseas e sinais de desgaste articular.
A avaliação clínica completa é decisiva para a escolha do tratamento mais adequado.

Toda lesão do LCA precisa de cirurgia?
A resposta é não, pois o tratamento depende de fatores como idade, nível de atividade física, sintomas e expectativas do paciente.
Quando o tratamento sem cirurgia para a lesão do ligamento cruzado anterior pode ser uma opção:
- Estilo de vida sedentário
- Pessoas mais velhas
- Joelho com alterações de desgaste (artrose)
- Ausência de sensação de instabilidade no dia a dia
- Lesões parciais, sem instabilidade clínica
Situações em que a cirurgia pode ser necessária:
- Pacientes praticantes de atividades físicas com giros, saltos e mudanças de direção
- Sensação de instabilidade no dia-a-dia
- Pacientes jovens
- Lesões adicionais que precisem de cirurgia
- Lesão de menisco com indicação de reparo ou sutura
- Fratura osteocondral ou lesão de cartilagem
- Lesões ligamentares combinadas, sendo a mais frequente LCA + LCM (ligamento colateral medial)
Como é o tratamento da lesão do LCA sem cirurgia?
O tratamento sem cirurgia da lesão do ligamento cruzado anterior deve ser iniciado com avaliação de médico ortopedista e fisioterapeuta. Portanto, todos os fatores clínicos relevantes devem ser avaliados na decisão do tratamento, que deve ser tomada em conjunto com o paciente.
O principal componente do tratamento não cirúrgico é a fisioterapia, que pode ser acompanhada de medidas de suporte. Assim, o processo pode ser dividido em fases:
Fase inicial – pós-trauma agudo
- Reduzir inflamação do joelho
- Aliviar dor e desconforto
- Recuperar mobilidade articular
- Restabelecimento de padrão de marcha adequado
- Medidas complementares:
- Uso de medicação analgésica e anti-inflamatória
- Punção articular e infiltração de medicação em casos de inchaço muito grande com dor
- Repouso relativo
- Bolsas de gelo ou crioterapia associada à compressão
Fase de reabilitação funcional
- Recuperação de força muscular, especialmente quadríceps e flexores
- Treino de propriocepção (equilíbrio e estabilidade articular)
- Treinamento físico progressivo:
- Força
- Potência
- Capacidade aeróbica
- Agilidade
Retorno esportivo gradual
- Treinamento progressivo de gestos esportivos específicos
- Acompanhamento próximo para avaliar estabilidade do joelho
- Ajuste da carga conforme resposta clínica

Novos protocolos de tratamento conservador / sem cirurgia – Cross Bracing
Recentemente, surgiu o protocolo conhecido como Cross Bracing, que propõe um tratamento conservador estruturado para lesões do LCA.
O protocolo Cross Bracing envolve o uso de um brace (órtese) por 3 meses, mantendo o joelho inicialmente em 90 graus de flexão, 24 horas por dia, com progressão gradual para extensão ao longo do tratamento.

O objetivo desse método é favorecer a cicatrização do ligamento, evitando movimentos que possam comprometer o reparo e, ao mesmo tempo, mantendo estímulos controlados para a articulação.
Pesquisas iniciais mostram resultados promissores, com pacientes recuperando estabilidade funcional e retornando a atividades sem necessidade de cirurgia.
No entanto, existem algumas ressalvas sobre o protocolo Cross Bracing:
- Este é um tratamento novo, ainda em estudo. A sua eficácia em estudos de longo prazo e com diferentes perfis de pacientes ainda não está bem estabelecida.
- O protocolo exige disciplina rigorosa, já que o uso constante do brace é essencial.
- Ainda não há confirmação se os resultados se equiparam à reconstrução cirúrgica em termos de durabilidade e estabilidade a longo prazo.
Apesar destas ressalvas, o protocolo Cross Bracing para tratamento sem cirurgia da lesão do LCA abre novas perspectivas para casos selecionados.
Cirurgia do LCA
A reconstrução do ligamento cruzado anterior substitui o ligamento rompido por um enxerto de tendão. Portanto, as opções incluem:
- Enxerto de flexores (músculos posteriores da coxa)
- Enxerto de tendão patelar
- Enxerto do tendão quadricipital
- Enxerto retofemoral
- Enxerto do tendão fibular longo
- Enxerto de banco de tecidos (transplante)
Cada opção tem vantagens e desvantagens, e a escolha deve ser individualizada.
Saiba mais sobre a cirurgia do LCA aqui.
O tratamento médico sempre deve ser individualizado. Portanto, para obter um diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado, o paciente deve buscar um profissional qualificado, ortopedista especialista em joelho.
O Dr. Pedro Giglio é PhD pela USP e ortopedista especialista em Cirurgia do Joelho.
Atua no tratamento de lesões de cartilagem, lesões por desgaste e ortopedia do esporte, oferecendo os tratamentos mais atuais, com e sem cirurgia. Utiliza técnicas minimamente invasivas, cirurgia robótica e tratamentos biológicos baseados nas evidências mais recentes.
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